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  GRANDES HISTÓRIAS
13/07/2009
    
UM JOÃO FEZ A AMÉRICA
Aos 50 anos, o pernambucano João Costa montou, em San Diego, na Califórnia, uma indústria que faz peças para turbinas de avião. Hoje, com 69, detém 20% de um mercado em que competem só quatro empresas
   
No início do século 20, o primeiro avião subiu aos céus levando apenas um homem, o brasileiro que o criou. Passados 100 anos, o novo Airbus A380, da Singapore Airlines, faz a rota Cingapura–Sydney transportando perto de 500 passageiros, com todos os confortos da vida moderna: champanhe Dom Pérignon e caviar após a decolagem, refeições servidas em louça inglesa, suítes com camas e monitores de vídeo individuais de 27 polegadas, com 100 opções de filmes para escolher. As asas do A380 têm 845 metros quadrados cada e carregam quatro turbinas Rolls-Royce que utilizam componentes fabrica-dos por um brasileiro em San Diego, na Califórnia. Sem completar o segundo grau, o pernambucano João Costa, nascido em Limoeiro, tornou-se industrial da aviação aos 50 anos, no país tecnologicamente mais desenvolvido do mundo. Costa fundou a empresa Hi Tech Honeycomb, fabricante de colméias de aço para turbinas de avião. Detém hoje 20% desse mercado, dominado por apenas quatro empresas no mundo.

Mas até chegar a presidente de uma companhia que emprega 129 pessoas nos Estados Unidos, Costa enfrentou muitas decolagens e pousos forçados. “Tinha 17 anos quando meu pai faleceu”, afirma Costa. “Abandonei a escola e fui para Fortaleza começar a vida.” Nas praias da cidade, Costa percebeu que a pesca da lagosta poderia ser um bom negócio e conseguiu trabalho com um exportador, o francês Paul Mathei. “Trabalhava dia e noite e juntava quase todo o di-nheiro, pois morava na casa de um primo”, afirma. Costa comprou um jipe, abriu o próprio negócio e tornou-se fornecedor de Mathei. Em poucos anos, dominava o comércio de lagostas de São Luís do Maranhão a Natal, no Nordeste brasileiro.

“Com 20 e poucos anos, era um dos homens mais ricos da cidade. Dava festas em minha mansão de frente para o mar de Aldeota. Mas alguns cômodos eram vetados aos convidados, porque eu guardava todo o dinheiro ali, dentro de sa-cos. Não mandava nada para os bancos”, afirma. Com o passar do tempo, Costa trocou o caminhão que usava para levar o dinheiro do pagamento dos pescadores por um avião bimotor. Conheceu nessa época Selma, a filha de um comerciante de Tauá, interior do estado, que se transferira com a família para Fortaleza. Era namoro à moda antiga.

O estilo de negociar de Costa mostrava-se lucrativo enquanto ele comandava tudo na empresa de pesca e estava à frente de cada transação, mas quando precisou empregar gerentes, estabelecer sociedade com os pescadores e delegar responsabilidades, começaram a aparecer os problemas inerentes à gestão de um negócio – e também muitas dívidas. Em 1963, sua fortuna estava dissipada e Costa elegeu os Estados Unidos para recomeçar a vida.

O destino era San Diego, no sul da Califórnia, onde morava a irmã Jaci, que se casara no Brasil com um militar ame-ricano que servira em Fernando de Noronha. Foi trabalhar com o cunhado em um estaleiro, como mecânico. Os dois criaram um método para reduzir as despesas dos donos de barcos que iam fazer a limpeza do casco no estaleiro. “No lugar de içar a embarcação para o seco, como faziam todos, mergulhávamos para limpar, o que economizava tempo e gastos com guindaste”, diz Costa. O namoro com Selma, que estava no Brasil, continuava por meio de cartas e por radioamador, até que se casaram por procuração e Selma chegou a San Diego, em 1965. A filha Lisa nasceu em 1968 e o filho John, um ano depois.

COLMÉIAS DE AÇO
O espírito audacioso e empreendedor de Costa atraiu a atenção de um grande industrial de San Diego, dono de uma empresa de manutenção de turbinas a gás para aviação. Primeiramente Costa atuou como comandante de seu barco de passeio e pesca, que era utilizado pela família, pelos clientes e políticos de San Diego. Depois foi levado para trabalhar na área de manutenção da empresa. Mas pouco ficava na oficina. Costa era o secretário particular do presidente e aprendia sobre o mercado de manutenção de turbinas. Mas novamente sua sorte mudou de lado. A empresa para a qual trabalhava foi alvo de acusações graves, que levaram o proprietário para a cadeia. Veio, então, a falência e, aos 50 anos, Costa viu-se desempregado e sem dinheiro. Tinha apenas a casa e dois filhos adolescentes para criar.

Mais uma vez Costa usou seu instinto empreendedor e sua criatividade, além da ajuda de Selma e dos filhos. Havia, na oficina de manutenção de turbinas da empresa que falira, uma máquina de fabricar honeycombs. Originalmente a palavra ho-neycomb, que mais tarde Costa usou no nome de sua empresa, designa o espaço hexagonal onde a abelha deposita o mel. Aplicada ao mundo industrial, a palavra acabou sendo traduzida por colméia. Indústrias de diversos setores utilizam essa tecnologia de estrutura hexagonal das colméias na fabricação de peças que necessitam de ventilação, para baixar temperaturas e reduzir áreas de atrito. Essas colméias feitas de aço são essenciais em turbinas de avião, já que evitam o superaquecimento e o desgaste das palhetas. A máquina de fabricar honeycombs foi a salvação da família Costa.

Na garagem de casa, ele e o filho, John, construíram uma réplica da máquina usada para fazer as colméias para turbinas. Mas que companhia de aviação ou fabricante de turbinas iria comprar uma peça tão importante para a segurança do avião feita numa fábrica de fundo de quintal? Costa alugou, então, um galpão e fundou uma empresa em nome de Selma, aproveitando incentivos americanos para companhias formadas por mulheres. O investimento inicial, de US$ 84 mil, foi obtido com a hipoteca da casa da família, que lhe rendeu US$ 30 mil, e com o giro dos vários cartões de crédito que possuía. “Pagava a fatura de um cartão e gastava com o outro, e assim foi sucessivamente”, diz Costa, que contratou, por US$ 20 mil, um engenheiro para colocar no papel a máquina que ele e o filho haviam construído. Depois de esboçado o projeto, Costa mandou fabricar mais três máquinas. As amizades conquistadas na antiga empresa de equipamentos aé-reos lhe renderam o primeiro contrato com a General Electric, líder mundial da indústria de turbinas. “A primeira ordem de compra da GE foi de US$ 50 mil. A segunda veio de uma subsidiária da Mitsubishi e a terceira da Varig”, afirma Costa. Desde então, a Hi Tech Honeycomb não parou mais de crescer em seus 20 anos de existência. Compram da empresa, hoje, gigantes da aeronáutica, como Rolls-Royce, Pratt & Whitney, Snecma e Siemens, além das empresas de aviação. São cerca de 140 clientes, e um dos maiores e mais fiéis é a GE Celma, sediada em Petrópolis, no Rio de Janeiro. A em-presa tem uma sede própria que integra fábrica e escritórios, numa área industrial de San Diego, chamada Kearny Mesa. Devido ao rigor das novas leis americanas, entre os 129 funcionários da Hi Tech Honeycombs só há pessoas com situação regularizada com a imigração, mas a grande maioria dos funcionários é formada por asiáticos. Trabalham na empresa cambojanos, vietnamitas, laosianos e chineses.

Atualmente a empresa fabrica colméias, anéis e segmentos lineares e anulares para a indústria de aviação. Concorre com apenas três companhias em todo o mundo. Costa e o filho viajam regularmente para visitar clientes, mas há um funcio-nário de vendas que passa mais tempo fora do que na fábrica em San Diego. É o inglês Graham Ball. “Ele sabe tudo sobre o produto e o mercado. A empresa deve muito a ele. Já foi diversas vezes a todos os países que visita, não perde tempo e seus gastos de viagem estão sempre dentro do orçamento. É um dos funcionários mais importantes da empresa”, diz Costa. O filho, John, é o presidente da companhia e a filha, Lisa, a diretora de RH. Selma também trabalha na Hi Tech Honey-combs, como diretora-financeira. “Recebi uma proposta de venda da empresa, há dois anos, de US$ 40 milhões, mas rejei-tei. Quero continuar trabalhando um pouco mais e deixar a empresa para os filhos e netos. Estou semi-aposentado”, diz Costa.

UMA CIDADE, DOIS PAÍSES
A cidade de San Diego, na Califórnia, onde João Costa vive há mais de 40 anos, não obedece as leis americanas de imigração. Pelo menos nas estatísticas, pois quem mora em Tijuana, no México, é também contado como habitante da Grande San Diego. São 2,9 milhões de pessoas ao norte da fronteira, mais 1,4 milhão do lado mexicano. O movimento no posto policial fronteiriço é intenso. Muitos mexicanos têm permissão para entrar nos Estados Unidos de manhã, para trabalhar, e voltar para suas casas à noite. A cidade está encravada entre a Baía de San Diego, as Montanhas Laguna e o deserto de Palm Spring. O clima é ameno, devido à proximidade com o oceano Pacífico, com temperatura média no verão de 22ºC e no inverno de 15ºC, o que permite o cultivo de videiras e a produção de vinho.

A Hi Tech Honeycomb tem distribuidores em vários países e Costa se orgulha do serviço de atendimento ao cliente. “Estamos sempre ouvindo nossos clientes e procurando colocar em prática o que aprendemos nesse relacionamento. Que-remos que eles saibam que podem confiar no produto e nos prazos de entrega”, afirma Costa, que mantém na folha de pa-gamento um grupo de oito conselheiros, formado por altos executivos aposentados de grandes corporações, com os quais se reúne mensalmente para discutir o estado geral da empresa.

ROTINA TRANQÜILA
Hoje com 69 anos, João Costa acorda cedo, faz caminhada e é um dos primeiros a chegar na Hi Tech Honeycomb. Visita todos os departamentos, com atenção especial à fábrica, participa de reuniões com o pessoal de engenharia e conversa com o filho e a filha. Faz tudo antes do horário do almoço e não volta à tarde para o trabalho. Sempre almoça com Selma no The Butcher Shop Steakhouse, casa ao estilo das churrascarias de Chicago. Acompanha a carne um Ca-bernet Sauvignon da Califórnia. Depois, por recomendação médica, faz a sesta em sua casa, no bairro de Tierrasanta, com vista para as colinas da região. Aí, sai de carro para um passeio. Com freqüência senta-se na mureta da praia de Casa Beach para admirar a colônia de focas que faz desse local o seu ponto de reprodução.

Depois de ter vivido mais de 40 anos em San Diego, Costa guarda poucos costumes do Nordeste brasileiro e não pretende voltar a morar no Brasil. Gosta de San Diego e a cidade gosta dele. Em 1997, recebeu, na Câmara de Comércio da Grande San Diego, um troféu do Bank of America por sua “flexibilidade, tenacidade e coragem” como empresário. Já não se entusiasma em torcer pelo Náutico Capibaribe, mas não perde os jogos do time de futebol americano San Diego Chargers, quando joga no próprio estádio, que fica perto de sua casa. “Gosto também do San Diego Padres, o time de beisebol da cidade”, afirma. Agora, seu maior desejo é fazer viagens a passeio pelo mundo. Mas aí, encontra um obstáculo sério: Selma tem medo de avião.

Fonte: Globo

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